quinta-feira, 9 de março de 2017

Projeto em Xapuri organiza dia de campo com ações para recuperação de nascente

O Grupo de Estudos em Agroecologia de Xapuri - GEAX realizou no último sábado, dia 04/3, um dia de campo no Polo da Borracha com ações para recuperação da nascente. Foi realizado o plantio de mudas e contenção de desbarrancamentos.
A atividade contou com o trabalho e apoio dos alunos do Curso de Gestão Ambiental do IFAC, Campus Xapuri e dos bolsistas do projeto. Além disso, a atividade recebeu a visita dos alunos do Curso Técnico Integrado em Biotecnologia, acompanhados pelo docente de geografia que aproveitou a oportunidade para apresentar a área rural, o projeto, algumas ações locais e características do ambiente estudadas em sala de aula.
O projeto aprovado pelo CNPq em 2016 prevê ações de assistência a comunidade do Polo da Borracha que envolvem recuperação de nascente, construção de horta e viveiro florestal, construção e orientação sobre criação de minhocas, oferta de cursos e treinamentos, entre outras.
Atualmente o projeto já conta com 6 bolsistas que acompanham e desenvolvem seus projetos na área, além de ter ampliado o número de docentes colaboradores que hoje já ultrapassam 15, nas mais diversas áreas do conhecimento.
Divulgar a agroecologia na região tem sido o foco da equipe que se prepara para a execução de seu cronograma no ano de 2017. Quer saber mais? Acesse o site ou  acompanhe a pagina do projeto nas redes sociais! 

https://www.facebook.com/GEAXAPURI/?pnref=story

terça-feira, 7 de março de 2017

A sustentabilidade da Amazônia não é opcional
* Ecio Rodrigues
Ainda que seja comum confundir-se o conceito de sustentabilidade com o de estabilidade no crescimento econômico, uma coisa é certa: desde a virada do século XXI que a Amazônia patina na economia, a despeito de ter se afastado da sustentabilidade.
Ou seja, o fato de se comprometer a sustentabilidade da região não tem ajudado a potencializar sua dinâmica econômica. É o pior dos mundos. Cabe esclarecer que, na Amazônia, a opção pela sustentabilidade implica ancorar a economia na exploração da diversidade biológica presente no ecossistema florestal.
Como costumam reiterar administradores e estudiosos que se debruçam sobre a política de desenvolvimento local, a instalação de atividades produtivas voltadas para extrair, industrializar e comercializar as matérias-primas abundantes na floresta promove, por assim dizer, a vocação produtiva regional.
Sem meias palavras, é o seguinte: a cada boi que nasce, a Amazônia se afasta da sustentabilidade; a cada quilo de carne de paca que se produz, a região se aproxima da sustentabilidade.
Essa lógica vale, por suposto, para o produto florestal que atualmente mais emprega e gera riqueza na região: a madeira.
Depois de passar por um ciclo econômico vigoroso na década de 1970, a exploração de madeira tropical amazônica hoje dispõe de tecnologia de manejo florestal apta a garantir uma oferta que, além de ser permanente, é reconhecida como sustentável pelos países compradores.
Abrir mão do potencial econômico representado pela madeira, como defende muitos desavisados, seria um tiro no pé, diante do valor desse produto e do seu significado para a geração de emprego na região. Nenhum produto de origem florestal tem mais capacidade para gerar riqueza que a madeira. Simples assim.
Continuando na mesma lógica – e, nessa altura, manifestando complacência em relação a quem desiste de ler o artigo por discordar do que aqui se escreve –, diga-se que, em face do universo de possibilidades econômicas descortinado pelas sementes e pela fauna silvestre, parece mesmo insano que não se explore esses dois segmentos do setor florestal.
Sementes de árvores e palmeiras amazônicas são nobres não apenas pela beleza, mas sobretudo por sua proficuidade, pela variedade de usos e produtos que podem engendrar. Entre esses usos, a produção de mudas, atividade que movimenta somas inestimáveis no mundo inteiro, talvez seja o mais elementar.
Além de serem utilizadas para fins alimentícios, as sementes se transformam em óleos, que por sua vez podem atender ao mercado de cosméticos ou ser queimados em motores empregados na geração de energia elétrica e no deslocamento das embarcações que transportam cargas e pessoas pela imensidão hidrográfica amazônica.
A fauna silvestre amazônica dispensa apresentação. Seja para a comercialização dos chamados bichos de estimação (papagaio e macacos são os mais cotados) ou para a produção de carne (queixada e paca são os preferidos), o manejo florestal de animais nativos já comprovou ser uma atividade bastante lucrativa.
Essa ladainha não é novidade e muita gente, antes deste artigo, já chamou a atenção para o mesmo prognóstico: a saída para a ocupação produtiva da Amazônia está no uso econômico de sua biodiversidade.
Mas essa saída, sem embargo de apresentar viabilidade econômica inquestionável, só veio a assumiu maior significado depois da Rio 92 e, mais recentemente, com a assinatura (em 2015) do Acordo de Paris. A saída pela biodiversidade se ajusta aos preceitos de sustentabilidade exigidos pelo planeta e pactuado pelas nações.
Por isso a sustentabilidade, para o caso de uma região como a Amazônia, não pode ser opcional. Não há espaço para sacrificar a sustentabilidade em troca de ganhos econômicos decorrentes da expansão do agronegócio. 
Trilhar o caminho da sustentabilidade é vocação inexorável da Amazônia, e não vai ser a criação de boi que vai comprometer esse destino.  

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Bolsista do Projeto Reciclar apresenta resultados em Congresso Cientifico

O Congresso de Ciência e Tecnologia do IFAC (CONC&T) foi promovido pelo Instituto Federal do Acre - IFAC, com o intuito de congregar a comunidade acadêmica e profissional atuante em diversas áreas do conhecimento, promovendo a socialização e a interação entre todos que têm interesse e/ou realizam projetos e ações no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação, Pós-graduação, Empreendedorismo, Extensão, e Educação Tecnológica por meio da realização de atividades de caráter científico, profissional, político e cultural. 
O evento aconteceu no Campus Rio Branco/IFAC, no município de Rio Branco-AC, entre os dias 07 e 09 de novembro de 2016. 
Com o tema “Despertando Talentos” o evento cientifico permitiu a divulgação de vários trabalhos desenvolvidos em 2015 e 2016 no IFAC, sendo o Projeto Reciclar um deles. 

Bolsista Edinilson Carneiro apresentando os resultados do projeto no Congresso de Ciência e Tecnologia do IFAC

O projeto que tinha como objetivo geral contribuir para melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização sobre a não geração, redução, reutilização, reciclagem e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, utilizando a educação ambiental como ferramenta, apresentou os resultados obtidos após 10 meses de execução. 
Foram realizados um total de doze mini cursos, dos quais trataram temáticas sobre aproveitamento de resíduos, uso sustentável dos recursos hídricos, direito ao saneamento básico, conservação de pastagens e da natureza, compostagem como forma de redução do resíduo sólido, recuperação de áreas degradadas, destino do resíduo sólido, economia de recursos naturais e importância da reciclagem.




Tivemos também um total de dezessete palestras que envolveram temas como ecoempreendedorismo, revolução industrial e o meio ambiente, biorremediação, cultura popular como ferramenta para conservação ambiental, importância da reciclagem, turismo como ferramenta ecológica, desenvolvimento sustentável, construção de composteira domésticas, restauração florestal e apresentação de dados sobre os aspectos ambientais do município de Xapuri.
Além disso, foi trabalhada a exibição de vídeos sobre meio ambiente; realizada contação de história sobre lendas com temática ambiental; criado um blog para divulgação das ações do projeto e de temas relacionado a temática ambiental; realizada a feira do empreendedor jovem, com estimulo a novos negócios através do uso de produtos produzidos com material reciclável; o estimulo da coleta seletiva de pilhas e baterias; a coleta de óleo de cozinha usado para produção de produtos de limpeza caseiros; exposição de artigos indígenas e sua história de convivência com a natureza; e, como atividade de interação e exposição do projeto a comunidade, foi realizada passeata em defesa ao meio ambiente nas ruas do município, com a participação de escolas municipais, estaduais e do próprio campus com seus alunos do curso técnico integrado.
Todas essas atividades envolveram cerca de 20 docentes, 15 técnicos e 30 alunos do curso de gestão ambiental diretamente no planejamento e organização das atividades. Foram envolvidos também os espaços do campus, como salas de aulas, auditório, biblioteca e laboratórios, aproximando a comunidade da instituição.
No total, foram emitidas 555 declarações de participação em palestras e 187 declarações de participação em mini curso durante o projeto, além de contarmos com a participação de mais de 300 alunos do ensino fundamental que visitaram as atividades do projeto sem receberem certificação.
Considerando que a instituição conta hoje com cerca de 520 alunos, e possível perceber a abrangência do projeto sobre seu publico alvo. Sendo assim, observamos que o projeto Reciclar contribuiu para a melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização da comunidade acadêmica através da extensão tecnológica sobre temáticas da educação ambiental, sendo portanto importante ferramenta para futuros projetos de gestão ambiental no município de Xapuri, Acre.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Inaceitável aumento de 47% no desmatamento no Acre em 2016
* Ecio Rodrigues
Em 2016, o Acre ficou em segundo lugar entre os estados que mais destruíram a floresta na Amazônia, tendo ostentado a taxa absurda de 47% na ampliação do desmatamento.
Difícil acreditar que esse aumento escandaloso se deva à ocorrência de algum fenômeno climático – como é o caso do festejado El Niño, reiteradamente usado para justificar os sucessivos recordes mensais de queimadas ocorridos em 2016.
Apresentando números irrefutáveis, o Inpe, Instituto de Pesquisas Espaciais, calcula que a área desmatada no Acre entre agosto de 2015 a julho de 2016 foi a maior desde 2007.
Simplificando, em especial para os incrédulos, que rechaçam a tese de que a elevação do desmatamento pode não ser um fato isolado, mas sim uma tendência: há praticamente dez anos os produtores do Acre não convertiam uma área tão grande de floresta em plantios de capim, cana-de-açúcar e assim por diante.
Quer dizer, diante dessa perigosa tendência de alta, todos – especialmente os políticos e gestores públicos – deveriam ficar muito preocupados. E não bastasse o desmatamento em si, há mais duas razões que dão azo a muita apreensão.
Em primeiro lugar, essa alta ocorre num momento de retração econômica. Trata-se dum agravante mais que peculiar, uma vez que a economia vibrante da segunda metade da década de 2000 não se compara ao marasmo e à crise dos tempos atuais, quando até o pagamento de salários a servidores públicos é notícia.
Já a segunda razão é ainda mais grave. Acontece que o desmatamento no Acre assumiu uma nova dinâmica – que os órgãos responsáveis pelo monitoramento não conseguem sequer compreender, quanto mais controlar.
Essa nova dinâmica do desmatamento apresenta participação expressiva da pequena e média propriedade rural. E o que é mais preocupante: são propriedades que não se localizam, como antes acontecia, às margens das rodovias (principalmente BR 364 e BR 317).
Comprovado o aumento da participação da agricultura familiar, sobretudo a praticada ao longo dos rios e distante do eixo das rodovias, a conclusão simples é que não adianta investir em ações de fiscalização.
Nenhum poder de polícia estatal, pelo menos na história amazônica, conseguiu chegar até o produtor rural ribeirinho, aquele que vive próximo ou em função de algum rio.
E embora seja mais fácil constatar a ineficiência da fiscalização em relação ao desmatamento nas áreas mais afastadas das rodovias, a experiência demonstra que, a bem da verdade, temos uma dificuldade natural para fiscalizar e multar o produtor menos favorecido. Ou seja, por esse caminho não há chance de sucesso.
Decerto a fiscalização contribui para derrubar momentaneamente a taxa de desmatamento; todavia, só por meio duma política pública que forneça valor e preço à diversidade biológica e que remunere o produtor pela conservação da floresta, será possível uma solução definitiva – isto é, permanente e eficaz.
Desgraçadamente, como dizem os produtores, o Acre abortou a chance de zerar o desmatamento pela via da política florestal quando extinguiu, por razões nunca esclarecidas, a Secretaria Estadual de Florestas.
Uma chance perdida.
  

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Projeto Reciclar: Uma iniciativa para difusão da educação ambiental em Xapuri - AC

Alana Chocorosqui Fernandes1; Ednilson Gomes Carneiro2

A questão ambiental está cada vez mais presente no cotidiano da sociedade, sobretudo no desafio da preservação da qualidade de vida da população. Nesta perspectiva, a Educação Ambiental tem papel fundamental, pois permite a discussão de temáticas que contribuem para a sensibilização e posterior mudança de atitude do indivíduo, que reflete sobre a melhoria de vida da comunidade. A conscientização sobre o correto destino do resíduo doméstico, sobre ações de reciclagem, compostagem e potencial econômico deste mercado surgem como necessidade para que a população se sensibilize e torne estas ações, cotidianas ao seu modo de vida, reduzindo seu impacto no meio ambiente e garantindo o uso dos recursos as gerações futuras.

Sendo assim, o Projeto Reciclar teve como objetivo, contribuir para melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização sobre a não geração, redução, reutilização, reciclagem e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, utilizando a educação ambiental como ferramenta. 

Para isso foi conduzida extensa revisão bibliográfica sobre o assunto bem como firmada parcerias com instituições ambientais e docentes do campus para a realização de palestras, mini cursos e outras atividades de educação ambiental para atingir seu publico alvo, a comunidade acadêmica do IFAC, Campus Xapuri, no período de setembro de 2015 a julho de 2016.
 
Foram realizados um total de doze mini cursos, dos quais trataram temáticas sobre aproveitamento de resíduos, uso sustentável dos recursos hídricos, direito ao saneamento básico, conservação de pastagens e da natureza, compostagem como forma de redução do resíduo sólido, recuperação de áreas degradadas, destino do resíduo sólido, economia de recursos naturais e importância da reciclagem. Tivemos também um total de dezessete palestras que envolveram temas como ecoempreendedorismo, revolução industrial e o meio ambiente, biorremediação, cultura popular como ferramenta para conservação ambiental, importância da reciclagem, turismo como ferramenta ecológica, desenvolvimento sustentável, construção de composteira domésticas, restauração florestal e apresentação de dados sobre os aspectos ambientais do município de Xapuri. 

Além disso, foi trabalhada a exibição de vídeos sobre meio ambiente; realizada contação de história sobre lendas com temática ambiental; criado um blog para divulgação das ações do projeto e de temas relacionado a temática ambiental; realizada a feira do empreendedor jovem, com estimulo a novos negócios através do uso de produtos produzidos com material reciclável; o estimulo da coleta seletiva de pilhas e baterias; a coleta de óleo de cozinha usado para produção de produtos de limpeza caseiros; exposição de artigos indígenas e sua história de convivência com a natureza; e, como atividade de interação e exposição do projeto a comunidade, foi realizada passeata em defesa ao meio ambiente nas ruas do município, com a participação de escolas municipais, estaduais e do próprio campus com seus alunos do curso técnico integrado. 


Todas essas atividades envolveram cerca de 20 docentes, 15 técnicos e 30 alunos do curso de gestão ambiental diretamente no planejamento e organização das atividades. Foram envolvidos também os espaços do campus, como salas de aulas, auditório, biblioteca e laboratórios, aproximando a comunidade da instituição. No total, foram emitidas 555 declarações de participação em palestras e 187 declarações de participação em mini curso durante o projeto, além de contarmos com a participação de mais de 300 alunos do ensino fundamental que visitaram as atividades do projeto sem receberem certificação.

Considerando que a instituição conta hoje com cerca de 520 alunos, e possível perceber a abrangência do projeto sobre seu publico alvo. Sendo assim, observamos que o projeto Reciclar contribuiu para a melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização da comunidade acadêmica através da extensão tecnológica sobre temáticas da educação ambiental, sendo portanto importante ferramenta para futuros projetos de gestão ambiental no município de Xapuri, Acre.


sexta-feira, 1 de julho de 2016


Semana de Meio Ambiente em Xapuri 


Em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, o IFAC, campus Xapuri participou das ações do município para comemoração dessa data. A seguir, reportagem do município, na integra, publicada em site da prefeitura disponível no link abaixo: 


http://xapuri.ac.gov.br/semana­do­meio­ambiente­encerra­com­passeata­em­xapuri­2/



É o projeto reciclar caminhando com a sociedade!


SEMANA DO MEIO AMBIENTE ENCERRA COM PASSEATA EM XAPURI 

A Semana do Meio Ambiente de Xapuri teve inicio no dia 30 de maio e contou com uma vasta programação todos os dias nas escolas da rede Municipal, Estadual e Federal através do Ifac de Xapuri.
Uma vasta programação foi elaborada pela Secretaria Municipal de meio Ambiente e pelo Instituto Federal do Acre que trabalharam em parceria na realização da Semana, oferecendo desde cursos a palestras e plantio de mudas de árvores.
Para o Secretario Municipal Idalino Junior, a programação foi muito produtiva e a participação do IFAC engrandece a cada ano a Semana do Meio Ambiente, “foi muito produtiva nossa programação, tivemos uma participação muito grande de alunos e esperamos eles sejam multiplicadores das boas idéias e das práticas de preservação e conservação do meio ambiente”.
Para encerrar a Semana do Meio Ambiente foi realizada uma caminhada com os alunos das escolas
Anthero Soares Bezerra, Divina Providência e IFAC pelas ruas da cidade, onde os alunos carregavam
cartazes e faixas alusivas a preservação.





domingo, 1 de maio de 2016

Fim do verão e do inverno amazônicos desafia resiliência dos rios
* Ecio Rodrigues
Parece que as pessoas ainda não se deram conta dos efeitos decorrentes das mudanças no clima em seu cotidiano. Aqui na Amazônia é possível que o desaparecimento da histórica estacionalidade que sempre dividiu o ano em inverno e verão faça finalmente a ficha cair, como se diz.
Primeiro, é sempre bom reforçar que, na Amazônia, o desmatamento e sua ampliação anual a taxas persistentes e superiores a 5 mil km2 está na raiz de todos os males, em especial no que diz respeito ao aquecimento global.
Significa afirmar, sucintamente, que duas prioridades deveriam ser assumidas pelos gestores públicos como emergenciais: o reflorestamento das áreas já desmatadas e a redução a zero do desmatamento a partir de 2016.
Dito isto, cabe analisar, num despretensioso exercício de presciência, quais poderiam ser as consequências se as duas estações climáticas regionais – denominadas de inverno (alta pluviosidade) e verão (baixa precipitação) – viessem a se confundir, a ponto de a distinção entre ambas não ser mais perceptível.
A palavra-chave, aqui, é “adaptação”.
Como se sabe, existe estreito vínculo entre o comportamento das florestas e as estações do ano, principalmente em função das alterações na oferta de três insumos que as plantas e animais valorizam muito: água, temperatura e luz.
Para usar o exemplo da oferta de luz, diga-se que o fotoperíodo (como preferem os agrônomos) é bem maior durante o verão (que corresponde ao inverno amazônico). Durante esta estação as plantas ficam expostas à luz do sol por um tempo mais longo; por conseguinte, observa-se ampliação da fotossíntese e da produção de flores e frutos, o que, enfim, costuma ser bastante admirado pela fauna silvestre.
Se não mais houver distinção entre o inverno e o verão amazônicos, tanto os humanos quanto a fauna e a flora terão que se adaptar às novas condições climáticas.
Muitos haverão de considerar que a ocorrência de uma única estação climática, durante todo o ano, pode representar maior estabilidade na vazão dos rios e encerrar o ciclo dos traumas relacionados às alagações, como a que aconteceu em 2015.
Enganam-se. A estabilidade na pluviosidade não significa necessariamente o fim de eventos extremos. Ainda que a vazão dos rios se mantenha durante a maior parte do ano em níveis médios, alagações e secas vão continuar acontecendo – uma vez que as causas desses eventos estão vinculadas a fatores como desmatamento, quantidade de carbono jogada na atmosfera, aquecimento do planeta e alterações no clima. 
A palavra chave, nesse caso, é “resiliência”.
Entendendo-se resiliência como a capacidade de o rio retornar ao estágio original depois de sofrer algum tipo de impacto ou pela ocorrência de eventos extremos, pode-se dizer que maior ou menor resiliência representa recuperação rápida ou lenta, respectivamente, após uma alagação ou seca.
A resiliência está diretamente relacionada à vazão do rio e, sobretudo, à quantidade de biomassa florestal presente na mata ciliar. Assim, a taxa de desmatamento evidenciada em determinada bacia hidrográfica irá interferir diretamente na resiliência dos cursos d’água que integram essa bacia.
A adaptação ao fim do inverno e do verão demandará pesquisas sobre a resiliência dos rios e a interação entre água e floresta. Mas isso, hoje, não passa de utopia.


*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.