segunda-feira, 15 de maio de 2017

Os 30 anos do Projeto Antimary e a tecnologia do Uso Múltiplo da Floresta
* Ecio Rodrigues
No longínquo 1987, um grupo de engenheiros no Acre concebeu o que pode ser considerado um dos mais expressivos projetos voltados para a busca de respostas com relação à exploração da biodiversidade presente no ecossistema florestal da região.
O projeto, financiado pela ITTO (em português, Organização Internacional de Madeiras Tropicais), deu origem à Floresta Estadual do Antimary e se configura no maior aporte financeiro para a pesquisa já realizado no estado – jamais repetido, lamentavelmente, mesmo passados 30 anos.
Tendo enfocado inicialmente a produção de madeira, a equipe envolvida na execução do projeto se deparou com as especificidades botânicas da floresta local, distinguidas por baixo volume de madeira comercial (em comparação com outras localidades amazônicas) e elevada diversidade de espécies por hectare.
Outras especificidades, desta feita no contexto socioeconômico, decorrentes do processo histórico de ocupação do Acre, relacionavam-se à presença marcante dos “seringueiros” no interior da floresta, dispersos em unidades de produção familiar, as chamadas “colocações de seringa”.
Esse singular produtor extrativista especializara-se na exploração comercial de castanha-do-brasil e borracha e, para a oferta de ambos os produtos florestais, contava com um complexo sistema de escoamento, baseado na associação entre rios, igarapés e vias terrestres designadas como “varadouros” e “varações”.
A compreensão dessas peculiaridades levou a equipe de pesquisadores a optar pela ampliação do escopo do manejo florestal, de forma a suplantar a tradicional aplicação dessa técnica, voltada para a produção de madeira, e chegar ao arrojado conceito do Uso Múltiplo da Floresta.
Esperava-se, dessa maneira, conceber uma tecnologia que possibilitasse a exploração de todo o potencial presente no ecossistema florestal, entre produtos e serviços – incluindo-se a madeira, obviamente.
Além de ajudar a superar o grave problema da baixa quantidade de madeira por hectare, a ampliação da cesta de produtos florestais facilitava a inserção do extrativista nos procedimentos do manejo florestal, já que ele detinha experiência em outros produtos, e não em madeira.
Uma vez definida tal diretriz, a equipe realizou uma dúzia de estudos – tais como inventários (florestal, de ecossistemas e de fauna); levantamento socioeconômico; diagnóstico de seringal nativo; pedologia; bacia hidrográfica –, tornando a Floresta do Antimary uma das áreas de floresta nativa mais pesquisadas da Amazônia.
Esses estudos subsidiaram a elaboração do Plano de Manejo, cujos detalhes foram discutidos em seminários técnicos, num processo de construção participativa que reuniu os produtores e os mais respeitados estudiosos sobre biodiversidade na Amazônia.
Passados 30 anos, é inquestionável o sucesso do projeto, e a própria ITTO reconheceu esse êxito, tendo aportado novo volume de recursos financeiros em 1992, aproximadamente 2 milhões de dólares, destinados à implantação da tecnologia de Manejo Florestal de Uso Múltiplo.
A recorrente discussão acerca do Uso Múltiplo no âmbito do Acordo de Paris, pacto internacional assinado em 2015 com o propósito de atenuar as mudanças no clima, demonstra que a aplicação dessa tecnologia pode ser condição para a sustentabilidade da Amazônia.
Merecem congratulações a Fundação de Tecnologia do Acre, Funtac, órgão responsável pela gestão do Projeto Antimary, e todos os que, em algum momento, participaram de sua execução – dos barqueiros e mateiros aos técnicos e engenheiros que correram riscos profissionais ao levar a cabo essa significativa experiência.
Oxalá, no futuro, a tecnologia que concretiza o uso econômico e sustentável dos numerosos produtos da biodiversidade na Amazônia se torne, para o produtor, uma opção mais vantajosa do que a criação de boi.
Mas esse futuro, por suposto, já deveria ter chegado...
        

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

O Inpa e os 30 anos da Floresta Estadual do Antimary
* Ecio Rodrigues
Referência para o estudo do Manejo Florestal – tecnologia que possibilita a exploração sustentável da diversidade biológica presente na floresta amazônica –, o Projeto Antimary completa 30 anos com futuro incerto.
O nível de investimentos em pesquisas alcançado durante a década de 1990, por meio do financiamento obtido junto à Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO, na sigla em inglês), jamais foi retomado.
Embora não existam estatísticas, é possível afirmar, sem medo de errar, que após o encerramento do financiamento da ITTO, o orçamento atual destinado ao Antimary não chega a 10% do que era anualmente investido até o início dos anos 2000.
Sucessivos governos estaduais não dedicaram à Floresta do Antimary, unidade de conservação engendrada pelo projeto, a relevância técnico-científica conquistada com muito esforço no período em que chegou a ser uma das áreas de vegetação nativa mais estudadas da Amazônia – em face justamente do cabedal de pesquisas ali realizado.
Não à toa, os mais renomados estudiosos da dinâmica florestal amazônica e as mais notáveis organizações científicas da região, como é caso do Inpa e da Embrapa, envolveram-se nalgum tipo de pesquisa levada a cabo naquela área florestal.
 A propósito, merece destaque a relação do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) com o Antimary: além de tomar parte, desde o início, da assessoria permanente ao projeto, os técnicos desse instituto também participaram da definição e realização de diversos estudos.
Estudos que se estenderam por anos, mantendo o envolvimento do Inpa com o Antimary até os dias atuais. Não seria demais afirmar que, hoje, as pesquisas de maior envergadura ainda em andamento têm a participação direta do Inpa.
O Inpa contribuiu no estabelecimento das diretrizes técnicas que conferiram ao Antimary o status de pesquisa florestal de referência. Duas dessas diretrizes foram essenciais e viriam a distinguir positivamente a experiência.
Trata-se, a primeira, da opção desenvolvimentista assumida pelo projeto.
Desde o início, a intenção não foi a de dar continuidade às pesquisas realizadas pelo Inpa em outra realidade ecossistêmica ou em outros cantos da Amazônia. Tampouco se pretendeu, no âmbito do Acre, introduzir uma nova linha de pesquisa, fosse básica ou teórica, como gostam os pesquisadores.
Dessa forma, o caráter de experiência piloto ou de desenvolvimento foi mantido e impulsionado, tendo-se tornado importantíssimo para o reconhecimento público do projeto e sua inserção no mercado.
Os desencadeamentos dessa opção levaram à segunda diretriz fundamental: a inserção dos atores sociais e econômicos envolvidos com a produção de madeira.
 Entidades como a Fieac (Federação das Indústrias do Acre), o CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros) e o CTA (Centro dos Trabalhadores da Amazônia) tiveram assento no Conselho Consultivo e no Comitê de Direção do projeto, participando de todas as deliberações importantes para o Antimary.
A superação das condições predatória e perdulária que então caracterizavam a exploração madeireira no Acre configurou-se, assim, no propósito primordial de tudo o que foi realizado no Antimary.
O escopo do projeto foi a elaboração dum conjunto de procedimentos técnicos que, uma vez assumidos pelos empresários e aceitos pela sociedade, viessem a viabilizar o manejo florestal para a produção permanente de madeira em escala comercial.
Além, claro, de colocar à disposição dos gestores públicos estaduais (de antes e de agora) um mecanismo de controle de mercado, mediante a oferta de um estoque regulador de 18 mil m3 anuais de madeira – de acordo com a área a ser manejada na Floresta Estadual do Antimary.
O legado do Antimary pode ser percebido na política nacional para a floresta amazônica gestada em 1996 e na que foi aprovada no Acre em 2001.
                                                                                                                      
*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Livro sobre Mata Ciliar no Rio Purus e lançado 


             Como parte da expertise de alguns docentes da Ufac e sua equipe, mais uma publicação sobre mata ciliar é lançada. Desta vez, o destaque e para o Rio Purus. 
            O livro pretende apresentar os resultados do Projeto de Pesquisa intitulado: "Ciliar Cabeceiras do Purus" trazendo a discussão de duas premissas; a primeira é que o Rio Purus é a primeira barreira à expansão do crescente desmatamento no Acre; e a segunda, é a afirmação de que está nesta vegetação ciliar a solução para o equilíbrio hidrológico do rio. 

            O Projeto Ciliar Cabeceiras do Purus foi aprovado por meio do Edital MCT/CNPq/CT-Agro nº 26/2010 - Reflorestamento em Áreas Degradadas Visando Restauração Ambiental, Serviços Ecológicos e outros usos, Chamada 1 - Propostas Individuais, e contou com orçamento de R$ 100.000,00, sendo seu principal objetivo o diagnóstico da dinâmica florestal presente na mata ciliar do Rio Purus, em especial o trecho que corta as cidades de Sena Madureira (desde a foz do rio Iaco), Manuel Urbano e Santa Rosa do Purus (em direção à sua nascente no Peru), considerado, para efeito dos estudos, como a área de influência da cabeceira. 
        O projeto que teve inicio em 2010 encerrou suas atividades em 2016, sendo a publicação do Livro do Projeto a ultima ação realizada, já no começo de 2017. Com o titulo: "Ciliar Cabeceira: mata ciliar no rio Purus" o livro traz em suas 262 páginas uma ampla discussão sobre a importância da mata ciliar, além de dados sobre a bacia, suas ações e resultados alcançados. 
          O projeto teve como referência sua experiencia anterior no Projeto Ciliar Só-Rio Acre, base para a elaboração e aprovação desta proposta.  Foram 10 dias de expedição para coleta de dados que, assim como projeto referência, apresentou o resultados sobre a composição florestal local, sobre as 20 espécies de maior valor de importância (IVI Mata Ciliar) e a utilização de procedimento metodológico para calculo da Largura Técnica da mata ciliar. 

             O grupo de pesquisadores, liderados pelo professor da UFAC, Dr. Ecio Rodrigues, envolve uma serie de profissionais, entre eles, doutores, mestres, ex alunos e alunos da Universidade que completam uma equipe multiprofissional  com experiencia na área florestal, totalizando em 2017 duas publicações nesta área.

             Para os interessados, a aquisição do livro pode ser feita nas livrarias Paim e Betel, em Rio Branco. Mais informações consulte o blog: http://ciliarcabeceirasdopurus.blogspot.com.br

Alana Chocorosqui Fernandes 
Eng. Florestal e co autora do livro
    

quinta-feira, 9 de março de 2017

Projeto em Xapuri organiza dia de campo com ações para recuperação de nascente

O Grupo de Estudos em Agroecologia de Xapuri - GEAX realizou no último sábado, dia 04/3, um dia de campo no Polo da Borracha com ações para recuperação da nascente. Foi realizado o plantio de mudas e contenção de desbarrancamentos.
A atividade contou com o trabalho e apoio dos alunos do Curso de Gestão Ambiental do IFAC, Campus Xapuri e dos bolsistas do projeto. Além disso, a atividade recebeu a visita dos alunos do Curso Técnico Integrado em Biotecnologia, acompanhados pelo docente de geografia que aproveitou a oportunidade para apresentar a área rural, o projeto, algumas ações locais e características do ambiente estudadas em sala de aula.
O projeto aprovado pelo CNPq em 2016 prevê ações de assistência a comunidade do Polo da Borracha que envolvem recuperação de nascente, construção de horta e viveiro florestal, construção e orientação sobre criação de minhocas, oferta de cursos e treinamentos, entre outras.
Atualmente o projeto já conta com 6 bolsistas que acompanham e desenvolvem seus projetos na área, além de ter ampliado o número de docentes colaboradores que hoje já ultrapassam 15, nas mais diversas áreas do conhecimento.
Divulgar a agroecologia na região tem sido o foco da equipe que se prepara para a execução de seu cronograma no ano de 2017. Quer saber mais? Acesse o site ou  acompanhe a pagina do projeto nas redes sociais! 

https://www.facebook.com/GEAXAPURI/?pnref=story

terça-feira, 7 de março de 2017

A sustentabilidade da Amazônia não é opcional
* Ecio Rodrigues
Ainda que seja comum confundir-se o conceito de sustentabilidade com o de estabilidade no crescimento econômico, uma coisa é certa: desde a virada do século XXI que a Amazônia patina na economia, a despeito de ter se afastado da sustentabilidade.
Ou seja, o fato de se comprometer a sustentabilidade da região não tem ajudado a potencializar sua dinâmica econômica. É o pior dos mundos. Cabe esclarecer que, na Amazônia, a opção pela sustentabilidade implica ancorar a economia na exploração da diversidade biológica presente no ecossistema florestal.
Como costumam reiterar administradores e estudiosos que se debruçam sobre a política de desenvolvimento local, a instalação de atividades produtivas voltadas para extrair, industrializar e comercializar as matérias-primas abundantes na floresta promove, por assim dizer, a vocação produtiva regional.
Sem meias palavras, é o seguinte: a cada boi que nasce, a Amazônia se afasta da sustentabilidade; a cada quilo de carne de paca que se produz, a região se aproxima da sustentabilidade.
Essa lógica vale, por suposto, para o produto florestal que atualmente mais emprega e gera riqueza na região: a madeira.
Depois de passar por um ciclo econômico vigoroso na década de 1970, a exploração de madeira tropical amazônica hoje dispõe de tecnologia de manejo florestal apta a garantir uma oferta que, além de ser permanente, é reconhecida como sustentável pelos países compradores.
Abrir mão do potencial econômico representado pela madeira, como defende muitos desavisados, seria um tiro no pé, diante do valor desse produto e do seu significado para a geração de emprego na região. Nenhum produto de origem florestal tem mais capacidade para gerar riqueza que a madeira. Simples assim.
Continuando na mesma lógica – e, nessa altura, manifestando complacência em relação a quem desiste de ler o artigo por discordar do que aqui se escreve –, diga-se que, em face do universo de possibilidades econômicas descortinado pelas sementes e pela fauna silvestre, parece mesmo insano que não se explore esses dois segmentos do setor florestal.
Sementes de árvores e palmeiras amazônicas são nobres não apenas pela beleza, mas sobretudo por sua proficuidade, pela variedade de usos e produtos que podem engendrar. Entre esses usos, a produção de mudas, atividade que movimenta somas inestimáveis no mundo inteiro, talvez seja o mais elementar.
Além de serem utilizadas para fins alimentícios, as sementes se transformam em óleos, que por sua vez podem atender ao mercado de cosméticos ou ser queimados em motores empregados na geração de energia elétrica e no deslocamento das embarcações que transportam cargas e pessoas pela imensidão hidrográfica amazônica.
A fauna silvestre amazônica dispensa apresentação. Seja para a comercialização dos chamados bichos de estimação (papagaio e macacos são os mais cotados) ou para a produção de carne (queixada e paca são os preferidos), o manejo florestal de animais nativos já comprovou ser uma atividade bastante lucrativa.
Essa ladainha não é novidade e muita gente, antes deste artigo, já chamou a atenção para o mesmo prognóstico: a saída para a ocupação produtiva da Amazônia está no uso econômico de sua biodiversidade.
Mas essa saída, sem embargo de apresentar viabilidade econômica inquestionável, só veio a assumiu maior significado depois da Rio 92 e, mais recentemente, com a assinatura (em 2015) do Acordo de Paris. A saída pela biodiversidade se ajusta aos preceitos de sustentabilidade exigidos pelo planeta e pactuado pelas nações.
Por isso a sustentabilidade, para o caso de uma região como a Amazônia, não pode ser opcional. Não há espaço para sacrificar a sustentabilidade em troca de ganhos econômicos decorrentes da expansão do agronegócio. 
Trilhar o caminho da sustentabilidade é vocação inexorável da Amazônia, e não vai ser a criação de boi que vai comprometer esse destino.  

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Bolsista do Projeto Reciclar apresenta resultados em Congresso Cientifico

O Congresso de Ciência e Tecnologia do IFAC (CONC&T) foi promovido pelo Instituto Federal do Acre - IFAC, com o intuito de congregar a comunidade acadêmica e profissional atuante em diversas áreas do conhecimento, promovendo a socialização e a interação entre todos que têm interesse e/ou realizam projetos e ações no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação, Pós-graduação, Empreendedorismo, Extensão, e Educação Tecnológica por meio da realização de atividades de caráter científico, profissional, político e cultural. 
O evento aconteceu no Campus Rio Branco/IFAC, no município de Rio Branco-AC, entre os dias 07 e 09 de novembro de 2016. 
Com o tema “Despertando Talentos” o evento cientifico permitiu a divulgação de vários trabalhos desenvolvidos em 2015 e 2016 no IFAC, sendo o Projeto Reciclar um deles. 

Bolsista Edinilson Carneiro apresentando os resultados do projeto no Congresso de Ciência e Tecnologia do IFAC

O projeto que tinha como objetivo geral contribuir para melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização sobre a não geração, redução, reutilização, reciclagem e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, utilizando a educação ambiental como ferramenta, apresentou os resultados obtidos após 10 meses de execução. 
Foram realizados um total de doze mini cursos, dos quais trataram temáticas sobre aproveitamento de resíduos, uso sustentável dos recursos hídricos, direito ao saneamento básico, conservação de pastagens e da natureza, compostagem como forma de redução do resíduo sólido, recuperação de áreas degradadas, destino do resíduo sólido, economia de recursos naturais e importância da reciclagem.




Tivemos também um total de dezessete palestras que envolveram temas como ecoempreendedorismo, revolução industrial e o meio ambiente, biorremediação, cultura popular como ferramenta para conservação ambiental, importância da reciclagem, turismo como ferramenta ecológica, desenvolvimento sustentável, construção de composteira domésticas, restauração florestal e apresentação de dados sobre os aspectos ambientais do município de Xapuri.
Além disso, foi trabalhada a exibição de vídeos sobre meio ambiente; realizada contação de história sobre lendas com temática ambiental; criado um blog para divulgação das ações do projeto e de temas relacionado a temática ambiental; realizada a feira do empreendedor jovem, com estimulo a novos negócios através do uso de produtos produzidos com material reciclável; o estimulo da coleta seletiva de pilhas e baterias; a coleta de óleo de cozinha usado para produção de produtos de limpeza caseiros; exposição de artigos indígenas e sua história de convivência com a natureza; e, como atividade de interação e exposição do projeto a comunidade, foi realizada passeata em defesa ao meio ambiente nas ruas do município, com a participação de escolas municipais, estaduais e do próprio campus com seus alunos do curso técnico integrado.
Todas essas atividades envolveram cerca de 20 docentes, 15 técnicos e 30 alunos do curso de gestão ambiental diretamente no planejamento e organização das atividades. Foram envolvidos também os espaços do campus, como salas de aulas, auditório, biblioteca e laboratórios, aproximando a comunidade da instituição.
No total, foram emitidas 555 declarações de participação em palestras e 187 declarações de participação em mini curso durante o projeto, além de contarmos com a participação de mais de 300 alunos do ensino fundamental que visitaram as atividades do projeto sem receberem certificação.
Considerando que a instituição conta hoje com cerca de 520 alunos, e possível perceber a abrangência do projeto sobre seu publico alvo. Sendo assim, observamos que o projeto Reciclar contribuiu para a melhoria das condições ambientais do município de Xapuri por meio da sensibilização da comunidade acadêmica através da extensão tecnológica sobre temáticas da educação ambiental, sendo portanto importante ferramenta para futuros projetos de gestão ambiental no município de Xapuri, Acre.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Inaceitável aumento de 47% no desmatamento no Acre em 2016
* Ecio Rodrigues
Em 2016, o Acre ficou em segundo lugar entre os estados que mais destruíram a floresta na Amazônia, tendo ostentado a taxa absurda de 47% na ampliação do desmatamento.
Difícil acreditar que esse aumento escandaloso se deva à ocorrência de algum fenômeno climático – como é o caso do festejado El Niño, reiteradamente usado para justificar os sucessivos recordes mensais de queimadas ocorridos em 2016.
Apresentando números irrefutáveis, o Inpe, Instituto de Pesquisas Espaciais, calcula que a área desmatada no Acre entre agosto de 2015 a julho de 2016 foi a maior desde 2007.
Simplificando, em especial para os incrédulos, que rechaçam a tese de que a elevação do desmatamento pode não ser um fato isolado, mas sim uma tendência: há praticamente dez anos os produtores do Acre não convertiam uma área tão grande de floresta em plantios de capim, cana-de-açúcar e assim por diante.
Quer dizer, diante dessa perigosa tendência de alta, todos – especialmente os políticos e gestores públicos – deveriam ficar muito preocupados. E não bastasse o desmatamento em si, há mais duas razões que dão azo a muita apreensão.
Em primeiro lugar, essa alta ocorre num momento de retração econômica. Trata-se dum agravante mais que peculiar, uma vez que a economia vibrante da segunda metade da década de 2000 não se compara ao marasmo e à crise dos tempos atuais, quando até o pagamento de salários a servidores públicos é notícia.
Já a segunda razão é ainda mais grave. Acontece que o desmatamento no Acre assumiu uma nova dinâmica – que os órgãos responsáveis pelo monitoramento não conseguem sequer compreender, quanto mais controlar.
Essa nova dinâmica do desmatamento apresenta participação expressiva da pequena e média propriedade rural. E o que é mais preocupante: são propriedades que não se localizam, como antes acontecia, às margens das rodovias (principalmente BR 364 e BR 317).
Comprovado o aumento da participação da agricultura familiar, sobretudo a praticada ao longo dos rios e distante do eixo das rodovias, a conclusão simples é que não adianta investir em ações de fiscalização.
Nenhum poder de polícia estatal, pelo menos na história amazônica, conseguiu chegar até o produtor rural ribeirinho, aquele que vive próximo ou em função de algum rio.
E embora seja mais fácil constatar a ineficiência da fiscalização em relação ao desmatamento nas áreas mais afastadas das rodovias, a experiência demonstra que, a bem da verdade, temos uma dificuldade natural para fiscalizar e multar o produtor menos favorecido. Ou seja, por esse caminho não há chance de sucesso.
Decerto a fiscalização contribui para derrubar momentaneamente a taxa de desmatamento; todavia, só por meio duma política pública que forneça valor e preço à diversidade biológica e que remunere o produtor pela conservação da floresta, será possível uma solução definitiva – isto é, permanente e eficaz.
Desgraçadamente, como dizem os produtores, o Acre abortou a chance de zerar o desmatamento pela via da política florestal quando extinguiu, por razões nunca esclarecidas, a Secretaria Estadual de Florestas.
Uma chance perdida.
  

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.